Petrobras despenca mais de 8% e faz Bolsa fechar no vermelho; dólar cai a R$ 1,986

05/02/2013 22:29

 

Bovespa fechou no vermelho nesta terça-feira (5). O Ibovespa (principal índice da Bolsa) recuou 0,22%, a 59.444,97 pontos. Os negócios movimentaram R$ 8,94 bilhões.

O principal motivo da baixa foi o desempenho negativo das ações ordinárias da Petrobras, que desabaram 8,29%, a R$ 16,60. Foi a maior queda diária da ação desde junho do ano passado, o que levou sua cotação para o menor patamar desde dezembro de 2005.

A queda do Ibovespa só não foi maior graças à ação do Itaú, após a empresa divulgar balanço anual mostrando o segundo maior lucro da história dos bancos no país --superado apenas pelo lucro do próprio banco no ano passado. A ação preferencial do Itaú (ITUB4) fechou em alta de 2,52%, a R$ 34,19, e a ordinária (ITUB3) subiu 2,33%, a R$ 33,41.

Já o dólar comercial fechou em queda de 0,47%, cotado a R$ 1,986 na venda. Uma série de fortes resultados trimestrais nos Estados Unidos animou os investidores a comprar ativos mais arriscados, como ações e moedas de países emergentes. Com a queda, o dólar devolve os ganhos acumulados na véspera, quando fechou com alta de 0,32%. No ano, a moeda tem desvalorização de 3,03%.

Veja ainda no UOL os fechamentos anteriores da Bolsa e o histórico do dólar.

Petrobras tem menor lucro em 8 anos, e muda dividendos

As ações da Petrobras despencaram na Bolsa de Valores nesta terça, após a empresa divulgar na véspera queda de 36,42% no lucro líquido de 2012 e mudança na distribuição de dividendos (parcela do lucro líquida dividida entre os investidores). A estatal anunciou que distribuirá dividendos (parcela do lucro paga a investidores) de forma desigual: os detentores de ações ordinárias  (menos negociada, com direito a voto) vão receber metade do valor pago aos que têm ações preferenciais (mais negociadas).

Chamou atenção também o número de papéis da estatal que trocaram de mãos nesta sessão --cerca de 54 milhões, mais de oito vezes a média diária de 2012, segundo dados compilados pela agência de notícias Reuters.

Os operadores apontaram o movimento como de troca de posição na empresa --investidores venderam ações ordinárias e compraram preferenciais.

A estatal anunciou, na noite de segunda, os resultados de 2012. A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 21,18 bilhões em 2012, uma queda de 36,42% em relação ao obtido em 2011 (R$ R$ 33,313 bilhões) e o menor resultado nos últimos oito anos.

Após anunciar seu balanço, a Petrobras informou que vai mudar a forma como distribui os lucro para os investidores (dividendos), sendo R$ 0,47 por ação ordinária (menos negociada, com direito a voto) e R$ 0,96 por ação preferencial (a mais negociada). Por esse motivo, as ações preferenciais operam em alta, enquanto as ordinárias caem.

Caso essa mudança não fosse feita, a estatal teria que desembolsar mais R$ 3,5 bilhões, disse o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, em conferência com analistas.

Analistas do Bank of America Merrill Lynch classificaram como "precendente negativo" a decisão da companhia de pagar dividendo diferenciado.

Barbassa afirmou que a política de dividendos da Petrobras vai continuar a mesma. Ele disse, no entanto, que está claro que acionistas preferenciais terão, algumas vezes, preferência na distribuição de dividendos.

Nos últimos anos, a empresa vinha distribuindo os dividendos igualmente. Este ano, para que isso ocorresse, seria preciso cortar investimentos, o que traria perdas ainda maiores à companhia, de acordo com o diretor.

Empresas de Eike têm dia negro na Bolsa

As empresas de Eike Batista tiveram um dia de grandes perdas na Bovespa nesta terça. A petrolífera OGX perdeu 6,22%, negociada a R$ 3,77, no segundo dia seguido de recuo.

Desde o início do ano, a ação já perdeu 20% de seu valor. No final do mês passado, a empresa furou um poço seco na Bacia de Campos, e, nesta segunda, a OGX anunciou uma produção de petróleo menor que a esperada pelo mercado.

A mineradora MMX perdeu 4,66%, a R$ 3,27. Na véspera, a ação figurou entre as maiores altas do dia, mas a queda de hoje anulou os ganhos de segunda.

Já a LLX, braço de logística do grupo EBX, sofreu um revés no final de janeiro, quando o MPF (Ministério Público Federal) moveu uma ação civil para suspensão das obras do Porto de Açu, por contaminação das águas no entorno. A ação recuou 3,64%, a R$ 2,12.

OSX, empresa de construção naval do grupo que não integra o Ibovespa, fechou em queda de 7,37%, a R$ 7,92. A OSX também é alvo do processo do MPF, e, além disso, deve receber multa da Secretaria do Ambiente do Rio por conta dos problemas com o Superporto.

Bolsas internacionais

As ações europeias fecharam com alta nesta terça, após sinais de recuperação econômica na zona do euro ajudarem a aliviar as preocupações de investidores.

O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, avançou 0,32% para 1.154 pontos, enquanto o índice de blue chips da zona do euro Euro STOXX 50 ganhou 0,99%. A operadora holandesa de telecomunicações KPN contrariou a tendência, desabando 16%.

As ações da Ásia fecharam em queda, com os investidores embolsando lucros depois das altas recentes. Dados fracos da economia dos Estados Unidos e temores em relação à zona do euro contribuíram para o resultado negativo nas Bolsas da Ásia nesta terça.

O indicador Nikkei do Japão fechou em queda de 1,90%, depois de escalar para um recorde de 33 meses na segunda. A Bolsa de Taiwan terminou com perdas de 0,46%, enquanto o índice referencial de Xangai avançou 0,2%. Cingapura caiu 0,75%.